Friday, July 01, 2005

Requiem por Uma Leguminosa Simpática



Thanathephorus cucumeris do feijoeiro
Estado em que se encontra o Feijão Manteiga

Era uma vez um homem que tinha um brinquedo há já muitos meses.

A certa altura achou que o brinquedo tinha adquirido um pouco de vida própria, um estilo até, e vai daí pensou que poderia arranjar outro brinquedo. Um brinquedo que fosse um pouco diferente do primeiro e que, de preferência, pouco tivesse a ver com o dono, já que o brinquedo anterior, para o bem e para o mal, denunciava alguns tiques muito próprios, que o dono não conseguia escamotear.

E assim foi. O homem arranjou outro brinquedo, deu-lhe corda e ainda fez umas brincadeiras. O pior foi que por mais que o homem se esforçasse , o segundo brinquedo resvalava inexoravelmente para as brincadeiras e tiques do primeiro brinquedo.

Daí a perceber-se que os dois brinquedos pertenciam ambos ao mesmo dono foi um passo. Quem passava ainda tinha bondade suficiente para fingir que não percebia... mas a verdade é que quem conheceu o primeiro brinquedo depressa teve a certeza que o dono era o mesmo.

O homem decidiu-se então pelo gorgulho. Mas este simpático insecto, porém, não resolveu a coisa a contento. Daí que tenha decidido que nada como uma doença criptogâmica para mandar uma leguminosa para os cuidados intensivos.

Entretanto apareceram então alguns apelos simpáticos no sentido de que o feijãozito arribasse da maleita e o dono agora está encabuladíssimo porque:

- Toda a gente sabe que os dois brinquedos pertencem ao mesmo dono;
- Os brinquedos começaram a ficar demasiado semelhantes para que as brincadeiras tivessem graça;
- O homem já tinha uma trabalheira para dar atenção ao primeiro brinquedo. Como é que havia de fazer para poder também dedicar-se ao segundo brinquedo?

Perante este tremendo dilema, o homem acha mesmo que o melhor é deixar o feijão definhar e agradecer aos que simpaticamente apelaram para que o feijão ressuscitasse. Especialmente à Pitucha, que fez o último apelo com uma meiguice que nem um gato ao colo da dona.

Vamos deixar o feijão assim, tá?
E a gente vai-se vendo por aí, né?
Um abraço a todos.

Tuesday, June 14, 2005

Bloggus Interruptus

Este blog foi severamente atacado de gorgulho.
Em conformidade, irá para tratamento apropriado e regressará, se sobreviver à cura.
Às suas três fieis leitoras (uma delas chegou mesmo a linká-lo) o Feijão Manteiga apresenta um sincero obrigado e até um dia. Gorgulho permitting...

Saturday, June 11, 2005

"Caoscavelos" ao Sol



A coisa ainda está fresca, foi ontem à tarde e o pessoal está quase todo de férias. Por isso, tirando uma preguiçosa referência ou outra, ainda ninguém se atirou verdadeiramente à «Onda de Carcavelos», em que um gang (ou vários, agrupados) de cerca de 500 meliantes invadiu a praia de Carcavelos e assaltou os cidadãos que haviam decidido ali passar um Domingo de sol. Mas não desanimemos – em breve estarão por aí as notícias, comentários e sábias análises, segundo os quais concluiremos:

- Que o «pessoal» não tinha nada que ir para Carcavelos, que coisa, tanto mais sabendo que bastando atravessar a marginal existe um considerável número de excluídos sociais;

- Que a PSP anda a dormir, são uma cambada de inúteis e nunca estão onde são necessários;

- Que a PSP é brutal e que há DUAS vítimas de bárbara agressão policial, sendo que uma foi por engano;

- Que o Governo tem de olhar urgentemente por estas situações e tomar as medidas necessárias para que se verifique a urgente inserção social dos jovens vítimas da exclusão a que são submetidos;

- Que o povo português é o mais racista e xenófobo da Europa (pegando na deixa de uma das apavoradas vítimas ter ousado pronunciar a palavra «pretos»);

- Que a culpa é do Santana Lopes;

- Que Mário Soares vai lançar um novo breviário de 20 páginas com frases de uso corrente na língua portuguesa e que incluirão «passa o telemóvel, io» «dá cá a carteira, seu filho da puta» e «vou-te ao focinho seu branco de merda»;

- Que o Ministério da Administração Interna vai abrir um inquérito;

Depois, tudo passará ao esquecimento. Entretanto, uns milhares de pessoas (provavelmente sem dinheiro que lhes permitisse ir ao Algarve gozar este fim de semana comprido) foi roubada, espancada, o caos instalou-se com crianças à procura dos pais e pais à procura dos filhos, marginal cortada durante m largo período, enquanto cerca de 470 meliantes abandonavam a praia de Carcavelos e ia continuar a colheita para S. Pedro do Estoril e S. João. Outros cerca de 30 ficaram em Carcavelos numa «atitude provocatória para com a polícia (sic)».

Alguém, que me diga em que país é que vivo, antes que me dê três coisas. E, já agora, o que é que se diz a um filho de seis ou sete anos que tenha passado por esta provação, para lhe explicar a «coisa»...

Friday, June 10, 2005

Reflexão Leguminosa em Dia de Derreter



[8] - Receio que com o fim de semana comprido, haja uma forte probabilidade de ser comido.

Isto de ser feijão tem manifestas desvantagens. Faço parte da dieta mediterrânica e eu hoje é mais Norte, países bálticos, que o frio enrijece e o calor depaupera-me o tegumento. E não há nada mais depauperante que um tegumento depauperado.

Assim, com este calor, vou fugir. Vou procurar por aí uns vegetais amigos, uma fava compincha, uma ervilha divertida ou mesmo uma «sojinha» que conheço e que ainda preocupadíssima porque querem modificá-la geneticamente. Logo vejo. Em todo o caso, qualquer coisa que me previna da brega dos tremoços, feijões carrapatos, grão de bico e quejandos, que isto da família das leguminosas é muito vasto e há alturas em que temos de ser selectivos.

Tudo isto porque tenho um «pousio» de quatro dias e eu tenho de decidir alguma coisa não vá eu fazer para aí uma excessiva fixação de azoto.

Thursday, June 09, 2005

Istos que são Quistos



[7] - No fundo, no fundo, todos sabemos disto. A questão é que só nos lembramos quando naquilo se fala. Outra questão mais grave, ainda, é de que isto não é caso único. Há demasiados «istos» para que os governos do Estado mereçam a confiança dos seus governados.

A recente onda de moralização de benesses a portadores de cargos de função pública e empresas estatais ou públicas torna-se inócua e demagógica, se levados em conta exemplos como o referido acima. Porque reflectem compadrio, trafulhice, trapalhada, venalidade, trambique, boçalidade, medo e outras virtudes em que parecemos ser exímios.

Pelo que a verdadeira solução do problema passará necessariamente por extirpar estes tumores em vez de acções que não serão mais que cosmética e bolos para enganar os tolos.

Hot Weather... mentira!



[6] - Não acreditem. É boato. E o boato, sempre ouvi dizer, fere com uma lâmina.

É boato que andemos a derreter com temperaturas a rondar os 40º. Aliás, amanhã na região de Lisboa estará nublado e...a chover. E as temperaturas vão situar-se entre os 15 de mínima e os 20 de máxima. Nada de estranhar, já que em várias partes do País, as temperaturas vão estar a baixo dos 10º. Dúvidas? É só ir
aqui. Serviço público como este jamais poderemos dispensar.

Melhor do que esta só o relógio do quartel de bombeiros da Encarnação ali à 2ª Circular, mesmo à frente do Aeroporto, que marca seis e meia... há VINTE ANOS. Duvidam? Passem lá e vejam. E daqui a vinte anos passem lá outra vez,.

Este país é extraordinário...
Adenda: Recebi uma chamada de uma pessoa amiga a avisar-me que sou um exagerado. O relógio não marca seis e meia, mas sim seis e um quarto. Correcção feita.

Tuesday, June 07, 2005

Porque Hoje é Terça



Andei à procura de uma foto adequada ao texto, foi tão difícil, olhem... fica uma contorcionista

Foto roubada daqui

[5] - Já hoje é Terça e não fiz o post de Segunda. Amanhã é Quarta e ainda não fiz o post de Terça. Depois é Quinta e devo estar perdido no meio de tantos não-posts.

O melhor é dar um salto, escrever hoje o post de Quinta, no Sábado escrevo o de Segunda, no Domingo escrevo o de Quarta, na Segunda vou ver o filme que deveria ver na Quinta. A quinta está, ao que me dizem, uma chachada, a primeira ainda vi, esta já não e o não foi muito bem feito que é para os euroburocratas aprenderem que há vida para além da burocracia. Palavra com que não concordo porque vem de bureau e eu sou portuga portanto, quando muito, deveria dizer-se escritoriocracia mas como é uma palavra idiota, que fique à francesa e, se a pusermos no diminutivo até que é uma sanduiche gostosa que os portuenses têm a mania que inventaram, sem se lembrar que inventos é com o professor Pardal, apesar da banda desenhada estar a cair em desuso. Desuso então é execrável, o prefixo aqui aplicado transforma uso na mais feia palavra do vocabulário português. De gema. De bigode e a cuspir para o chão. Um chão que eu piso todos os dias com a raiva de não pisar o céu. Certamente mais azul e sem canina excrecência residual. Palavra muito usada quando andamos a pagar um carro durante seis anos e depois nos dizem que o valor residual é quase tanto como o que o carro custou.

E prontos. Fica escrito o post de Terça. Assim já não tenho que o escrever no Sábado e já posso ir ao cinema na Sexta. Isto está uma merda, eu sei, mas também como o blog é infante e ningém o lê, também não faz diferença nenhuma.

Sunday, June 05, 2005

E Ninguém lhes dá Um Par de Patins



[4] - Lá temos hoje mais um dia de "Marginal sem carros".

As estradas, os carros, o trânsito, que confusão, esse flagelo da humanidade. Nada como um punhado de gente bem intencionada para intervir correctamente neste disparate dos automóveis e pôr toda a gente a andar a pé e de patins. Aonde? Na Marginal, onde é que havia de ser?

Quando é que alguém se dá ao trabalho de perceber que, mais do que o incómodo e prejuízos que estas medidas acarretam, está em causa um desenvolvimento larvar de mentalidades cada vez mais idiotas?